UNIVERSIDADE
ESTADUAL VALE DO ACARAÚ - UVA
Centro de
Ciências Humanas – CCH
Curso:
História
Idade
Moderna II
Professor
Ms. Paulo Henrique
Aluno:
Paulo Otávio
Conto: A
traição dos meus instintos.
Pois é
em minha vida pequena e curta o perigo e a aventura sempre foram meu
lema e em meio as galerias frias da cidade de Londres, não aprendi a
contar o tempo, vivi intensamente, sigo meus instintos, na verdade
meu olfato, sensível a tudo que parece interessante: roupa suja,
comida mal armazenada, e o odor quem vem do cais, do porto - Ah que
maravilha.
Se hoje
tenho essa corpo definido, formato de barril, é exatamente por essas
habilidades, de saber onde a melhor refeição se encontra, o odor de
botas e meias sujas também é muito atraente.
Mas, mal
sabia que seria essas habilidades que levariam-me ao fim, a próxima
viagem poria fim as épicas aventuras desse jovem desbravador.
É
naquele porto onde muitos sorrisos acontecem e muitas lágrimas
rolam, eu como mero espectador fiquei a admirar o que esses homens
tem de mais forte: a força do interesse. Queridos desta fez não
tive tanta sorte, já descobriremos porque.
A noite
chega rápido, percebo devido a agilidade dos marujos em buscarem as
velas e lamparinas, o frio vindo do mar e o cheiro de peixe pobre dão
o contexto do local, alguns deitam-se como se estivem preparando-se
para acordar bem cedo, detalhe que fugiu-me, mas que mudou
drasticamente minha vida. Enquanto a maioria deitava, fiquei a
observar um pequeno grupo que sentavam bem próximo a cabine do
capitão e começaram a cantar. Nossa! Música boa é uma raridade.
Acabei dormindo e pense em um sono. Dormir tanto que ao acordar só
vi bem ao longe as últimas pintura da minha amada cidade, que ao
longe era engolida pelo horizonte. Meu pequeno coração quase que
explodia ter tanta emoção. Senti que naquele momento era a ultima
vez que via a minha Londres.
- O destino? Ah só deus sabe, enquanto tenho um pressentimento que entrar neste barco não vai fazer bem.
O balanço
do mar já começava e incomodar meu sensível estômago, enquanto
buscava uma bota largada para tentar relaxar. Esse foi o primeiro dia
da fatigante viagem.
Rotina
que vai iria repetir-se por uma eternidade de dias.
A comida
já estava escassa e os marujos esgotos, o cheiro ou odor tornou-se
mais forte, a verdade a podridão impregnava-se a tudo e a falta de
banho era notável.
Quando a
comida e a energia do homens começam a exaurirem, no firmamento o
breu anunciava um grande presságio, indício de uma enorme
tempestade que viria. Em pensar que desde Londres esses sinais já
tinham aparecido, e fazendo-me corajoso pouco liguei, um irmão nosso
Caio morre preso numa armadilha, uma carruagem quase atropelava
Morrise enquanto o mesmo mudava de galeria. Ah se tivesse percebido,
teria ficado em casa, desfrutando da noite londrina.
Agora é
tarde, a bendita tempestade não cai ainda, a agonia dos marinheiros
menos calejados é evidente, a sensação é que o céu ia desmoronar
sobre nossas cabeças. Mas o pior a de vir. Não se sabe de onde,
mas uma hora chegará. Todos parecem desorientado, como alimento
digno só restou uma sola velha de sapato que esqueceram no porão.
De
repente um barulho, a nave sofre um grande impacto, ao longe o
firmamento parecia estar rasgando o véu.
Os gritos
já nem podiam ser ouvidos, a água enfim derrama-se sobre a
embarcação fazendo-o seu pequeno brinquedo. Os ventos
desestabilizavam a nave e a mente das pessoas. Quanto a mim,já tinha
mudado a cor da pele três vezes, o medo não abandonou-me mais.
Explica-los-ei a frente porque.
O mesmo
medo e o pavor tomavam conta da tripulação. As horas seguintes
serão as mais dolorosas da minha vida. O local que parecia mais
seguro estava minando água e era visível o rombo na casca do navio.
Congelei e não tive outra reação senão ir para cima, correndo
entre as pernas correntes, a loucura pela vida estava iniciada.
Alguns
até tentavam controlar a infiltração de água, chegavam a usa até
mesmo carne para tentar impedir a inundação. De repente toda a
tripulação estava imbuída em salvar o barco. Cosseguram retirar
uma enorme quantidade de água, muito embora, quanto mais tiravam
mais entrava, todos já estavam esgotados, a energia até mesmo dos
mais jovens já não mais existia, quanto, ao longe ouço o velho
capitão cochichar sorrateiramente: É irreversível. Para mim foi o
suficiente para crer que esse não era um bom dia.
Por pouco
não fui pisoteado, o barco já dava indícios de que estava
afundando embora alguns tentassem, tentassem desesperadamente esgotar
a água, tentativa inútil.
Já
passavam algumas horas, e de repente o inacreditável acontece, não,
não foi a água que parou de entrar, mas sim os homens se acalmaram
e viram que diante da situação algumas coisas tinham que ser
resolvidas, como que se tivessem acostumados com a ideia da morte,
homens nobres e “menos” importantes ocupavam o mesmo espaço e
buscavam uma igualdade. O silencio perdurou, de repente alguém
começar a falar, quase sussurrar, enquanto o barulho do mar ao modo
dava o tom da conversa.
O
conformismo era geral, sem notaram que eu estava ali, a assistir tudo
perplexo. Pareciam estar numa espécie de ritual do mar. Sei bem que
depois desta conversa, onde tudo já parecia perdido, um brinde foi
feito, e o motivo não era a salvação do naufrago que iria se
suceder, mas a uma vida após a morte. Um mundo ditoso que não
tinham conseguido chegar neste mundo.
Sorte?
Talvez, mas o acaso levou a embarcação a afundar próxima a encosta
de algumas rochas, toda tripulação escapou, porém, Aquela má
sensação desde o inicio da viagem culminou em agonia agora. Eu não
sabia nadar, nem um pedaço de madeira escapou para que pudesse ficar
em cima. Nem um sapato velho que boiasse. Já começava a sentir o
frio da água do mar tocar o meu sensível rabo. Dai em diante a
consciência fugiu-me quase imediatamente. Parecia não acreditar que
depois de tantas aventuras chegava ao fim minha jornada, o medo, a
dor, a vida, foram engolidos pela água todos meus sentimentos, junto
com aquela embarcação.
Mensagem
psicografada de Edward, o ratinho fanfarrão.
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