3 de outubro de 2012

A traição dos meus instintos.


UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ - UVA
Centro de Ciências Humanas – CCH
Curso: História
Idade Moderna II
Professor Ms. Paulo Henrique
Aluno: Paulo Otávio
Conto: A traição dos meus instintos.

Pois é em minha vida pequena e curta o perigo e a aventura sempre foram meu lema e em meio as galerias frias da cidade de Londres, não aprendi a contar o tempo, vivi intensamente, sigo meus instintos, na verdade meu olfato, sensível a tudo que parece interessante: roupa suja, comida mal armazenada, e o odor quem vem do cais, do porto - Ah que maravilha.
Se hoje tenho essa corpo definido, formato de barril, é exatamente por essas habilidades, de saber onde a melhor refeição se encontra, o odor de botas e meias sujas também é muito atraente.
Mas, mal sabia que seria essas habilidades que levariam-me ao fim, a próxima viagem poria fim as épicas aventuras desse jovem desbravador.
É naquele porto onde muitos sorrisos acontecem e muitas lágrimas rolam, eu como mero espectador fiquei a admirar o que esses homens tem de mais forte: a força do interesse. Queridos desta fez não tive tanta sorte, já descobriremos porque.
A noite chega rápido, percebo devido a agilidade dos marujos em buscarem as velas e lamparinas, o frio vindo do mar e o cheiro de peixe pobre dão o contexto do local, alguns deitam-se como se estivem preparando-se para acordar bem cedo, detalhe que fugiu-me, mas que mudou drasticamente minha vida. Enquanto a maioria deitava, fiquei a observar um pequeno grupo que sentavam bem próximo a cabine do capitão e começaram a cantar. Nossa! Música boa é uma raridade. Acabei dormindo e pense em um sono. Dormir tanto que ao acordar só vi bem ao longe as últimas pintura da minha amada cidade, que ao longe era engolida pelo horizonte. Meu pequeno coração quase que explodia ter tanta emoção. Senti que naquele momento era a ultima vez que via a minha Londres.
  • O destino? Ah só deus sabe, enquanto tenho um pressentimento que entrar neste barco não vai fazer bem.
O balanço do mar já começava e incomodar meu sensível estômago, enquanto buscava uma bota largada para tentar relaxar. Esse foi o primeiro dia da fatigante viagem.
Rotina que vai iria repetir-se por uma eternidade de dias.
A comida já estava escassa e os marujos esgotos, o cheiro ou odor tornou-se mais forte, a verdade a podridão impregnava-se a tudo e a falta de banho era notável.
Quando a comida e a energia do homens começam a exaurirem, no firmamento o breu anunciava um grande presságio, indício de uma enorme tempestade que viria. Em pensar que desde Londres esses sinais já tinham aparecido, e fazendo-me corajoso pouco liguei, um irmão nosso Caio morre preso numa armadilha, uma carruagem quase atropelava Morrise enquanto o mesmo mudava de galeria. Ah se tivesse percebido, teria ficado em casa, desfrutando da noite londrina.
Agora é tarde, a bendita tempestade não cai ainda, a agonia dos marinheiros menos calejados é evidente, a sensação é que o céu ia desmoronar sobre nossas cabeças. Mas o pior a de vir. Não se sabe de onde, mas uma hora chegará. Todos parecem desorientado, como alimento digno só restou uma sola velha de sapato que esqueceram no porão.
De repente um barulho, a nave sofre um grande impacto, ao longe o firmamento parecia estar rasgando o véu.
Os gritos já nem podiam ser ouvidos, a água enfim derrama-se sobre a embarcação fazendo-o seu pequeno brinquedo. Os ventos desestabilizavam a nave e a mente das pessoas. Quanto a mim,já tinha mudado a cor da pele três vezes, o medo não abandonou-me mais. Explica-los-ei a frente porque.
O mesmo medo e o pavor tomavam conta da tripulação. As horas seguintes serão as mais dolorosas da minha vida. O local que parecia mais seguro estava minando água e era visível o rombo na casca do navio. Congelei e não tive outra reação senão ir para cima, correndo entre as pernas correntes, a loucura pela vida estava iniciada.
Alguns até tentavam controlar a infiltração de água, chegavam a usa até mesmo carne para tentar impedir a inundação. De repente toda a tripulação estava imbuída em salvar o barco. Cosseguram retirar uma enorme quantidade de água, muito embora, quanto mais tiravam mais entrava, todos já estavam esgotados, a energia até mesmo dos mais jovens já não mais existia, quanto, ao longe ouço o velho capitão cochichar sorrateiramente: É irreversível. Para mim foi o suficiente para crer que esse não era um bom dia.
Por pouco não fui pisoteado, o barco já dava indícios de que estava afundando embora alguns tentassem, tentassem desesperadamente esgotar a água, tentativa inútil.
Já passavam algumas horas, e de repente o inacreditável acontece, não, não foi a água que parou de entrar, mas sim os homens se acalmaram e viram que diante da situação algumas coisas tinham que ser resolvidas, como que se tivessem acostumados com a ideia da morte, homens nobres e “menos” importantes ocupavam o mesmo espaço e buscavam uma igualdade. O silencio perdurou, de repente alguém começar a falar, quase sussurrar, enquanto o barulho do mar ao modo dava o tom da conversa.
O conformismo era geral, sem notaram que eu estava ali, a assistir tudo perplexo. Pareciam estar numa espécie de ritual do mar. Sei bem que depois desta conversa, onde tudo já parecia perdido, um brinde foi feito, e o motivo não era a salvação do naufrago que iria se suceder, mas a uma vida após a morte. Um mundo ditoso que não tinham conseguido chegar neste mundo.
Sorte? Talvez, mas o acaso levou a embarcação a afundar próxima a encosta de algumas rochas, toda tripulação escapou, porém, Aquela má sensação desde o inicio da viagem culminou em agonia agora. Eu não sabia nadar, nem um pedaço de madeira escapou para que pudesse ficar em cima. Nem um sapato velho que boiasse. Já começava a sentir o frio da água do mar tocar o meu sensível rabo. Dai em diante a consciência fugiu-me quase imediatamente. Parecia não acreditar que depois de tantas aventuras chegava ao fim minha jornada, o medo, a dor, a vida, foram engolidos pela água todos meus sentimentos, junto com aquela embarcação.
Mensagem psicografada de Edward, o ratinho fanfarrão.



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